Na altura ele começou a ir à piscina e eu, por arrasto, comecei a ir às mesmas horas. Não ia nadar, que deambular pela piscina sem destino e sem objectivos (sempre tive muita dificuldade em fazer fosse o que fosse sem ter um objectivo bem definido, mas isto dava pano para mangas e é outra conversa) era coisa que não me agradava. Por insistência alheia e porque concordava que me fazia bem fazer exercício, comecei a ir à hidroginástica. Houve duas razões que me mantiveram naquela piscina durante um ano: i) paguei o ano inteiro de aulas de uma só vez, e sentia-me mal comigo própria se faltasse; ii) ele ia nadar à mesma hora que eu e, basicamente, pegava em mim debaixo do braço, metia-me no carro e depositava-me na piscina antes que eu tivesse tempo de dizer que naquele dia não me apetecia.
Nunca me apetecia, esta é a verdade. Ia sem vontade. Mesmo com as duas razões apontadas ali atrás, de vez em quando, inventava uma gripe, uma dor de cabeça, um mal-estar imaginário, e escapava-me. Não gostava da piscina, não gostava das minhas colegas, não gostava das músicas. Lembro-me claramente de um dia em que estava a gostar mesmo da música e dos exercícios. Enquanto eu pulava e rodava deliciada, alguém pedia encarecidamente ao professor que mudasse a música, que aquilo não tinha jeito nenhum e que ninguém gostava daquela canção. E eu percebi que não pertencia ali. Nunca me consegui ligar às colegas de turma. Eram elas e eu. Na verdade, acho que nunca me esforcei por gostar delas, mas se há esforço, o 'gostar' deixa de o ser, não será?
Seguiu-se um ano sem tempo para nada, nem para mim quanto mais para a hidroginástica. Um alívio, no que a isso diz respeito. Tinha-se acabado o suplício de terças e quintas ao fim da tarde. Aliás, foi um ano em que muita coisa acabou: terminaram as aulas de hidro e terminou a pessoa que me tinha arrastado para lá.
Assim que voltei a ter vida, que é como quem diz tempo para mim, decidi que precisava de me voltar a mexer. Estranho, muito estranho, para quem sempre fugiu à Educação Física, para quem aproveitava cada ida ao médico para tentar arranjar um atestado que significasse a salvação daquele suplício maldito (nem o dentista escapou!). Melhor aluna da turma, dada a números e a letras, mas com pouca apetência para saltos e corridas, uma geek em potencial. Desta vez sem ser arrastada por ninguém, porque me apetecia, porque sentia falta. Fui a ginásios e fui ao spa. Achei que os ginásios era demasiado exigentes para mim, voltei à hidroginástica, agora num sítio que me agradava, com pessoas com quem me identificava. E descobri que afinal gostava daquilo: a primeira a chegar, para nadar antes da aula, a última a sair, para fazer tudo aquilo a que tinha direito.
Na semana passada, além das aulas habituais, fui experimentar ginástica localizada (abdominais, abdominais, abdominais, aiiii) e spinning (duplo aiiii). No dia a seguir à aula estava fresca como uma alface, dois dias depois estava à beira da incapacidade. Qualquer espirro ou risada me recordava que tinha músculos em todo o corpo que estiveram adormecidos mais de 30 anos. Tudo, tudo me doía, nem o pescoço escapou. Completamente entrevadinha!
Apesar do panorama ser assustador, vou passar a ir mais uma vez por semana ao spa, para fazer esta aulinha. A hidroginástica é muito gira e relaxante, mas a verdade é que não comporta um desafio, e chegar ao fim da aula de spinning a transpirar em bica, tem o seu quê de interessante. Diz-me uma amiga, que começou assim, e que quando deu conta ia todos os dias ao ginásio, e que se pudesse passava lá o dia todo. Minha cara, nem tanto, nem tanto! Se bem que...
Isto tudo para dizer que com a idade, ou à medida que vou crescendo (expressão mais bonitinha), dou comigo a colmatar falhas antigas (ou nem tanto), e a tentar fazer coisas com as quais antes não me sentia bem, nem me identificava. O que me parece mais curioso, é que estas tentativas de fazer algo diferente do que seria de esperar, dada a história de vida, não surgem como imposições, mas antes com uma naturalidade inesperada. Uma forma de ficar mais perto do equilíbro (isto soa muito zen, mas não é nada disso!), quem sabe. Não, não estou só a falar de ginástica...
0 comments:
Post a Comment